mba em Cultura Material e Consumo:

Antropologia do consumo

Ministrante: Sérgio Bairon Blanco Sant’Anna

Ementa: A disciplina abordará as reflexões antropológicas no encontro com o consumo, privilegiando a dimensão ritualística e as conexões com a cultura material e o universo dos bens e serviços. Também será explorado o método etnográfico, sua variação no ambiente digital, a netnografia, como caminho privilegiado para o entendimento das relações de consumo.

Bibliografia: CANEVACCI, Massimo. Antropologia da Comunicação Visual. São Paulo: Perspectiva, 2018 DOUGLAS, Mary & ISHERWOOD, Baron. O mundo dos bens. Para uma antropologia do consumo. Rio de Janeiro: UFRJ, 2004 KOZINETS, Robert. V. Netnografia: Realizando pesquisa etnográfica online. Porto Alegre: Penso, 2014 PEREZ, Clotilde. Há limites para o consumo? São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2020

Arte - sublimação - criação

Ministrante: Clayton Policarpo Barbosa Vicente

Ementa: Estudo das capacidades criativas & pragmáticas, como resultado dos processos de síntese & desenvolvimento do estilo.

  1. As pulsões
  2. A sublimação
  3. Ideais civilizatórios
  4. Exigências sociais
  5. Produções culturais
  6. Criatividade

 A sublimação é um processo postulado por Freud, para explicar determinadas atividades que, em princípio, não teriam relação com a sexualidade, mesmo obtendo a sua energia das pulsões sexuais. Estas, diferentes dos instintos, podem ter os seus fins modificados e determinados pela educação, apontando para a realização de objetos valorizados socialmente.

 A transformação da potência erótica em distintas habilidades conforma o mundo humano, que exige total distância com os comportamentos animais, coibindo condutas & impondo limites às satisfações diretas. Portanto, a capacidade de substituir a meta originária por outro fim, não apenas sexual, dando vazão à produção metafórica, em termos utilitários ou artísticos, é o ganho civilizatório das potencialidades criativas dos seres humanos.

Bibliografia: ARCHER, Michael. Arte contemporânea. São Paulo: Martins Fontes, 2001. ALVES FERREIRA NETTO, Geraldino. Win Wenders – Psicanálise & cinema. São Paulo: UNIMARCO, 2001. CHALHUB, Samira. Funções da linguagem. São Paulo: Ática, 1990. CHNAIDERMAN, Miriam. Documentários. CESAROTTO, Oscar. Sedições. São Paulo: Iluminuras, 2008. DALÍ, Salvador & DISNEY, Walt. Destino (filme) D´ELIA, Céu. Adeus (filme) FABBRINI, Regina. Sublimação. São Paulo: EDUC, 1999. FANTINI, João Angelo. Imagens do pai no cinema. São Carlos: EdUFSCar, 2009. FREIRE, Cristina. Arte conceitual. Rio de Janeiro: Zahar, 2006. MACHADO, Arlindo. Arte & mídia. Rio de Janeiro: Zahar, 2007. MASAGÃO, Andreia. Documentários. MOLES, Abraham. El kitsch. Buenos Aires: Paidós, 1973. PASSOS RIOS, Cleusa. Crítica literária & psicanálise. São Paulo: Nova Alexandria/ EDUSP, 1995. RIVERA, Tania. Arte & psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2002. TENÓRIO da MOTTA, Leda. Roland Barthes São Paulo: Iluminuras, 2013. TRIGO, Luciano. A grande feira. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009. VIRILIO, Paul. El procedimiento silencio. Buenos Aires: Paidós, 2001.

Cultura, material e consumo

Ministrantes:  Bruno Pompeu Marques Filho, Maria Clotilde Perez Rodrigues e Silvio Koiti Sato

Ementa:  Evolução do entendimento sobre consumo em múltiplas perspectivas e suas interfaces com a comunicação e a cultura. Recenseamento dos conflitos & soluções de compromisso que a condição social impõe aos seus integrantes, dependentes da distribuição das mercadorias.

  1. Civilização – Cultura – Sociedade
  2. Necessidade, demanda, desejo
  3. A parte maldita
  4. Fetichismos, exibicionismos, voyeurismos
  5. Ecossistema publicitário
  6. Rituais de Consumo

 A civilização, constituída pela experiência da vida nas cidades, afasta para sempre da natureza, fonte de recursos essenciais.

 Desde então, as necessidades são providenciadas por mecanismos sociais de elaboração e distribuição de produtos  manufaturados e serviços para consumo massivo. Correlativamente, o anúncio das mercadorias postas à venda exige a  comunicação das suas excelências para informar e despertar o interesse e, evidentemente, a ação, do potencial comprador.

 Cada novo lançamento, qualquer um, põe em funcionamento um repertório de relações significantes entre os polos extremos do  circuito mercadológico, mediado pelas novidades apregoadas; estas, por sua vez, determinam o escopo das ofertas e das demandas. O amplo espectro comunicacional faz parte do universo do consumo, que seja de imagens, palavras ou símbolos, junto com e para além das características de uso ou de troca de cada elemento em jogo.

 Entender a relação entre desejo e consumo e o papel do ecossistema publicitário na difusão dos valores sociais estarão em foco nesta disciplina, bem como compreender a evolução do consumo na sociedade, passando de rejeição à centralidade da vida cotidiana. Consumo e cidadania, consumo e identidade e consumo e brasilidade, serem temas debatidos.

Bibliografia:  APPADURAI, Arjun. Dimensões culturais da globalização. Lisboa, Teorema, 2004. Revista USP, v. 86, p. 16-27, 2010. BARBOSA, Lívia & CAMPBELL, Colin. Cultura, consumo e identidade. Rio de Janeiro: FGV, 2006 BAUMAN, Zygmunt. Vida para Consumo: a transformação das pessoas em mercadorias. Rio de Janeiro:Zahar, 2008. BATAILLE, Georges. A parte maldita. Rio de Janeiro: IMAGO, 1975. BENJAMIN, Walter. Reflexões sobre a criança, o brinquedo & a educação São Paulo: Summus, 1984. CANCLINI, Nestor. Consumidores e cidadãos. Rio de Janeiro: UFRJ, 2010 ___________. Sociedade sem relato. São Paulo: Edusp, 2012 CANEVACCI, Mássimo. Fetichismos visuais. São Paulo: Atelier, 2008. ___________. Culturas extremas. Rio de Janeiro: DP&A, 2005 CASTILHO, K. & DEMETRESCO, S. (orgs.). Consumo, práticas e narrativas. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2011 CHIACHIRI, Roberto. A estratégia de sugestão na publicidade – São Paulo: Academia Editoria, 2006. COLOMBO, Caio. Hiperconsumo. São Paulo: CPC, 2014. DE CERTEAU, Michel. A invenção do cotidiano. Petrópolis :Vozes, 1996. ____________. La culture au pluriel. Paris: Christian Bourgois, 1980. DOUGLAS, M. & ISHERWOOD, B. O Mundo dos Bens: para uma antropologia do consumo. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 2009. FOGAÇA, Jôse. O Consumo, o Gosto, a Ponte e a Cerca: um estudo exploratório sobre gosto e referências estéticas em propagandas dirigidas à baixa renda. In: Intercom – XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, 2011. Recife. Anais do XXXIV INTERCOM, 2011. ___________. Em Cena, o Consumo: obscurecimento e centralidade. In: II PROPESQ – Encontro de Pesquisadores em Publicidade e Propaganda. Trabalho apresentado. São Paulo: CRP/ECA/USP, 2011b FONTENELLE, Isleide. O nome da marca. São Paulo: Boitempo, 2002. GONZALO Junior. Ora, bolas! – São Paulo: Alameda, 2012. LLANO, N ; TRINDADE, E. ; SOUZA, L. S. . Contrafação e seus museus: Observação das categorias do contrafeito. Comunicação, Mídia e Consumo (São Paulo. Impresso), v. 10, p. 169-188, 2013. LE BRETON, David. Antropologia do corpo & modernidade. Petrópolis: Vozes, 2013. LIPOVETSKY, Gilles. A Era do Vazio. Lisboa: Relógio D’Água, 1989. ________________. O império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. São Paulo: Companhia das Letras, 2004a. _______________. Os tempos hipermodernos. São Paulo: Barcarolla, 2004b. _______________. O Luxo eterno. Da idade do sagrado ao tempo das marcas. São Paulo: Cia da Letras, 2005 ______________ & SERROY, Jean. A cultura mundo. São Paulo: Cia das Letras, 2011 McCRACKEN, Grant. Cultura & Consumo: novas abordagens ao caráter simbólico dos bens e das atividades de consumo. Rio de Janeiro: Mauad, 2003. ¬¬__________ . Cultura & Consumo II. Rio de Janeiro: Maud, 2012 MILLER, Daniel. Trecos, troços & coisas. Rio de Janeiro: Rocco, 2008. NORMAN, Donald. Design emocional. Rio de Janeiro: Zahar, 2013. PEREZ, Clotilde – Signos da marca: expressividade e sensorialidade. São Paulo: Thomson, 2004. PEREZ, C. & BAIRON. S. Universos de sentido da população de baixa renda no Brasil: semânticas da estabilidade, da ascensão social e da mobilidade. Revista Matrizes, ano 7 n. 2, 2013 PERNIOLA, Mario. Contra a comunicação. Porto Alegre: Unisinos, 2004. PRAHALAD, CK. A Riqueza na base da pirâmide.Porto Alegre: Bookman, 2005 ROCHA, Rose de Melo & CASAQUI. Vander (orgs.). Estéticas midiáticas e narrativas do consumo. Porto Alegre: Sulina, 2012 ROCHA, Rose de Melo & OROFINO, Maria Isabel. Comunicação, consumo e ação reflexiva: caminhos para a educação do futuro. Porto Alegre: Sulina, 2014 SLOTERDIJK, Peter.Esferas III – Espumas. Barcelona: Editorial Siruela, 2006. SALECL, Renata. Sobre a felicidade. São Paulo: Alameda, 2005. SANTI, Pedro de. Desejo & adições de consumo. São Paulo: Zagodoni, 2011. SUDJIC, Deyan. A linguagem das coisas. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2010. TASCHNER, Gisela. Cultura, consumo e cidadania. Bauru: Edusc, 2009 TEIXEIRA, Marcus do Rio. Vicissitudes do objeto (Objeto do desejo, objeto do gozo, objeto de consumo) – Salvador: Ágalma, 2005. TRINDADE, E. Um olhar exploratório sobre o consumo e a midiatização das marcas de alimentos na vida de algumas famílias. Matrizes (USP. Impresso), v. 6, p. 77-96, 2012. TRINDADE, E. ; SOUZA, L. S. Ethé publicitários e consumo: confluências discursivas na circulação midiática. Revista Comunicação Midiática (Online), v. 9, p. 120-133, 2014. TRINDADE, E. ; PEREZ, Clotilde . Os rituais de consumo como dispositivos midiáticos para a construção de vínculos entre marca e consumidores. Alceu (Online), v. 15, p. 157-170, 2014.

Éticas & estéticas da vida urbana

Ministrante: Bruno Pompeu Marques Filho, Eneus Trindade Barreto Filho, Luiz Alberto Beserra de Farias, Maria Clotilde Perez Rodrigues e Massimo Canevacci.

Ementa: Pesquisa e experimentação das diversas modalidades de satisfação pulsional possíveis nas cidades, na soma dos fatores externos & internos que o habitat predispõe e condiciona. Arte, publicidade, design, cinema, espaço urbano, esporte, arquitetura, urbanismo, gastronomia, mídias…

  1. Existência e alienação
  2. As cinco peles
  3. As três ecologias
  4. Cidadania
  5. Interdependência
  6. Clínica da cultura

 A cidade é o lugar onde a civilização, a sociedade e a cultura impõem, aos indivíduos, as regras da convivência, seus ônus e bônus. Os cidadãos vivem num habitat artificial e convencional, sujeitos às vicissitudes coletivas, determinados pelas condições de subsistência, infraestrutura e adaptação. As formas de vida que o capitalismo oferece e exige, principalmente nas metrópoles, incluem contradições, impasses e soluções de compromisso, dando lugar a mais sintomas do que gratificações.

 Além dos aspectos antropológicos e urbanísticos, a cidade também deve ser considerada como um imenso organismo semiótico, onde o dia-a-dia é regido por signos, significantes, logos, marcas, emblemas, sonoridades, sinais. A cultura, concretizada nos

 estilos de vida materialmente possíveis, ainda que pautada pelos códigos e ideais, é um devir ininterrupto de dialéticas & invenções, um conjunto aberto de problemas e soluções.

Bibliografia:  AGAMBEN, Giorgio. Homo sacer. Belo Horizonte: UFMG, 2002. ALEMÁN, Jorge. Soledad: Común. Buenos Aires: Capital Intelectual; 2012. BANKSY. Guerra & spray. São Paulo: Intrínseca, 2012. DOMINGUEZ, Luis Esteban – Imigração argentina em São Paulo (Mestrado PUC) EHRENREICH, Barbara. Dançando nas ruas. São Paulo: Record, 2010. FOSTER, Hal. O retorno do real. São Paulo: CosacNaify, 2014. FULLER, Buckminster. Manual de instruções para a nave espacial Terra Porto: Via Optima Editorial, 1998. GUATTARI, Felix. As três ecologias. Campinas: Papirus, 1987. JAMESON, Fredric. A virada cultural. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006. MARLEY, Bob. Songs of freedom (box set) MENDONÇA Filho, Kleber. O som ao redor. Recife, 2013 (filme) PUJÓ, Mario. Para uma clínica de la cultura – Buenos Aires: Grama, 2006. PSICOANÁLISIS & EL HOSPITAL – (site) RESTANY, Pierre. Hundterwasser. São Paulo: CosacNaify, 2008. SAHLINS, Marshall. Metáforas históricas & realidades míticas – Rio de Janeiro: Zahar, 2009. TÜRCKE, Christoph. Sociedade excitada. Campinas: UNICAMP, 2010.

Formações & produções do inconsciente

Ministrantes: Christian Ingo Lenz Dunker, Oscar Angel Cesarotto e Paul Kardous

Ementa: estudo dos processos sígnicos de elaboração de sentido, a partir das coordenadas inconscientes dos fenômenos psíquicos.

  1. A Outra Cena
  2. Sonhos
  3. Atos falhos
  4. Sintomas
  5. Atos criativos
  6. Literatura & Cinema

Freud teorizou o aparelho psíquico dividindo lugares & funções. Éxtimo à consciência, o inconsciente se faz presente pelas suas  incidências na vida cotidiana, além de reger & dirigir o roteiro dos sonhos. Assim, atos falhos, lapsus, chistes & sintomas são a retórica impensada na existência de todas as pessoas, enquanto sujeitos da linguagem, marcados pela diferença sexual & prometidos à finitude.

 A Outra Cena é o espaço da sem-razão, mas também da imaginação; a criatividade, ao seu serviço, se nutre das suas potencialidades para produzir as manifestações & latências da imaginação de todas as épocas. O exemplo concreto do cinema ilustra como devaneios podem virar realidades, ainda que ficcionais; não apenas individuais, senão projetos comuns que exigem a participação de mais de um neste tipo de realizações culturais.

Bibliografia:  BARTHES, Roland. Aula. São Paulo: Cultrix, 1980. BURROUGHS, William. Almoço nu. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005. FREUD, Sigmund. Interpretação dos sonhos Psicopatologia da vida cotidiana Os chistes & suas relações com o inconsciente Sobre a transmutação das pulsões (Obras Completas) GIMENES, Roseli. O cinema de Almodóvar. São Paulo: Scortecci, 2009. HISGAIL, Fani (org.). A ciência dos sonhos. São Paulo: UNIMARCO, 2000. LACAN, Jacques. Função & campo da palavra & da linguagem na Psicanálise (Escritos). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2000. METZ, Christian. O significante imaginário. Lisboa: Horizonte, 1980. MORIN, Edgar. Las estrelas del cine. Buenos Aires: EUDEBA, 1969. NASIO, Juan-David. A fantasia. Rio de Janeiro: Zahar, 2007. ROSSI, Deise Miriam. O amor na canção. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003. RODRIGUES, Ana Lucília. Pedro Almodóvar & a feminilidade – São Paulo: Escuta, 2008. VITORELLO, Daniel Vigliani. Mantenha distância. São Paulo: Annablume, 2009.

Metapsicologia das Massas

Ministrantes: Oscar Angel Cesarotto e Pedro Luiz Ribeiro de Santi

Ementa:  Análise da gênese singular & plural do eu, instância psíquica formatada pela experiência singular da vida social & as demandas coletivas.

  1. Massa, malta, multidão.
  2. Ideais & liderança
  3. Servidão voluntária
  4. Propaganda
  5. Panóptico
  6. Totalitarismo

 O estudo do comportamento dos conglomerados humanos, iniciado nos primórdios do século XX com a irrupção dos movimentos sociais nas cidades do Ocidente, foi realizado por Unamuno, Le Bon, Canetti, Freud. Sozinho enquanto indivíduo, as condutas subjetivas são potencializadas ao se integrar pluralmente com os comportamentos de outrem, quando um ideal comum, quer  seja de amor ou de ódio, polariza as vontades, para além & aquém do bom senso.

 As massas são lideradas pela sociedade do espetáculo, na medida em que os meios de comunicação não apenas informam como  também norteiam as opções de vida oferecidas pelos sistemas de produção & consumo. As identidades coletivas, por sua vez,  aglutinam os iguais & excluem os diferentes, em termos de religião, classe, cor, time, opção sexual, partido, etc. Os fenômenos de alienação & segregação exemplificam a lógica irracional da formação das agrupações de cidadãos, aderindo & excluindo simultaneamente.

Bibliografia:  BBC. O século do eu (documentário) BENTHAM, Jeremy. O Panóptico ou a casa de inspeção. Belo Horizonte: Auténtica, 2000. BURSZTEIN, Jean-Gerard. Hitler, a tirania & a psicanálise – Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 1998. CANETTI, Elias. Massa & poder. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. CARPENTER, John. Eles vivem! (filme) FREUD, Sigmund. Psicologia das massas & análise do eu O futuro de uma ilusão Mal-estar na cultura (Obras Completas) FOUCAULT, Michel. Vigiar & punir. Petrópolis: Vozes, 1987. FURTADO LEITE, Eduardo. Drogas – Concepções – Imagens. São Paulo: Annablume, 2005. GOLDENBERG, Ricardo. Psicologia das massas – Solidão & multidão. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2014. LA BOÈTIE, Etiénne de. Discurso sobre a servidão voluntária. São Paulo: Brasiliense, 1999. MANNONI, Octave. Freud – Uma biografia ilustrada. Rio de Janeiro: Zahar, 1994. MILLER, Jacques-Alain. A máquina panóptica de Jeremy Bentham. Belo Horizonte: Auténtica, 2000. PELLEGRINO, Hélio. Pacto edipiano & laço social – Sociedade Paulista de Psicanálise (site) PARKER, Alan. The Wall (filme) PETRY, Luis Carlos & BAIRON, Sérgio. Psicanálise & História da Cultura (CDRom). São Paulo: Editora Mackenzie, 2000. REICH, Wilhelm. Psicologia das massas do fascismo. São Paulo: Martins Fontes, 1988. RIEFENSTHAL, Leni. O triunfo da vontade (filme)

Metodologia analítica

Ministrante: João Angelo Fantini

Ementa:  Metodologia de aplicação dos parâmetros epistémicos que permitem fazer leituras analíticas das manifestações do

 inconsciente a céu aberto.

  1. Lógica do concreto
  2. Lógica do sentido
  3. Lógica da fantasia
  4. Método paranoico-crítico
  5. Interpretações & hipóteses
  6. Novos paradigmas

 A linguagem é a condição tanto do inconsciente quanto da Semiótica; sua pluralidade abrange o visual & o sonoro, junto com o verbal, prioridade da Psicanálise. A primeira incrementa à segunda com seu repertório de meios & mensagens; reciprocamente,

 a dimensão subjetiva sustenta & usufrui do universo das significações. Disto decorre a necessidade do estudo das consequências psíquicas dos signos culturais.

 A semiótica de extração psicanalítica utiliza os conceitos de simbólico, imaginário & real mirando a distinção entre palavras, imagens & coisas, as três ordens de referência para o proceder humano, tanto em termos cognitivos como desiderativos. A aplicação destas categorias de análise possibilita a leitura, escuta & interpretação dos fenômenos sociais & seus produtos culturais, na pesquisa das causas & efeitos das condições de existência.

Bibliografia:  BAIRON, Sergio. Interdisciplinariedade. São Paulo: Futura, 2002. ECO, Umberto. Como se faz uma tese – São Paulo: Perspectiva, 2012. DELEUZE, Gilles. A lógica do sentido – São Paulo: Perspectiva, 1978. DEVIEUX, Miriam. Histórias que não se contam – Taubaté: Cabral, 2002. FALEK, Jussara (org.). A criança no discurso do Outro – São Paulo: Iluminuras,1994. FINGERMANN, Dominique (org). Os paradoxos da repetição – São Paulo: Annablume, 2014. IZQUIERDO, Ivan. Memória. Porto Alegre: Artmed, 2006. KUHN, Thomas. As revoluções científicas. São Paulo: Perspectiva, 2011. KUPFER, Maria Cristina. Freud & a educação. São Paulo: Scipione, 1989. MACHADO DE FREITAS, Jeanne Marie. Comunicação & Psicanálise. São Paulo: Escuta, 1992. MEZAN, Renato. Figuras da teoria psicanalítica. São Paulo: Escuta, 1995. NOGUEIRA, Luiz Carlos – (Biblioteca USP) SANTAELLA, Lucia & Nöth, Winfried. Comunicação & semiótica. São Paulo:Hacker, 2004. SIMANKE, Richard. Metapsicologia lacaniana. São Paulo: Discurso Editorial, 2002. VOLTOLINI, Rinaldo. Educação & psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 2011. WILLEMART, Philippe. Crítica genética & psicanálise. São Paulo: Iluminuras, 2005.

Publicidade & discurso capitalista

Ministrantes: Bruno Pompeu Marques Filho e Eneus Trindade Barreto Filho

Ementa: Discurso – articulação do vínculo entre os seres falantes em torno de um laço social específico e suas finalidades

 implícitas e explícitas.

  1. Discurso mestre
  2. Discurso histérico
  3. Discurso universitário
  4. Discurso psicanalítico
  5. Discurso competente
  6. Discurso publicitário & hiperpublicidade  O laço social que a compra/venda estabelece, seja de coisas manufaturadas ou de força de trabalho, constitui o paradigma das relações humanas na contemporaneidade. A produção, circulação, uso, consumo e descarte das mercadorias tem o dinheiro como mediação e condição de viabilidade. Por sua vez, tudo aquilo que é colocado no mercado precisa de divulgação, como função inicial e essencial da publicidade; entretanto, o discurso publicitário não é somente informativo, pois, seduzindo &

 persuadindo com finalidade de lucro ou não, transmite também ideologias e concepções do mundo invariavelmente em sintonia com os interesses dominantes.

 A onipresença do ecossistema publicitário interfere no espaço público e no privado, nas paisagens urbanas e psíquicas, atingindo e afetando o conjunto da população. Ao mesmo tempo fascinante e potencialmente alienante, na sua ambiguidade constitutiva, a alma do negócio não para nunca, criando modas e obsolescências infinitas, mais do que necessidades

Bibliografia: ALEMÁN, Jorge. Cuestiones antifilosóficas en Jacques Lacan (El discurso capitalista & la ética del psicoanálisis). Buenos Aires: Atuel, 1993. BATEY, Michael. O significado da marca. Rio de Janeiro: BestSeller 2009 BAUDRILLARD, Jean. The System of Objects. London: Verso, 1986 CHAUÍ, Marilena. Cultura & democracia (O discurso competente). São Paulo: Moderna, 1980. DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997. DI NALLO, Egéria. Meeting Points. Marketing para uma sociedade complexa. São Paulo: Cobra, 1999 DUFOUR, Dani-Robert. O divino consumo. Rio de Janeiro, 2007. DUNKER, Christian & AIDAR PRADO, José Luiz (orgs.). Zizek crítico. São Paulo: Hacker, 2005. FANTINI, João Angelo (org.). Raízes da intolerância. São Carlos: EduFSCar, 2015. GOLDENBERG, Ricardo. Política & psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 2001. HOLT, Douglas. Como as marcas se tornam ícones. São Paulo: Cultrix, 2005 LACAN, Jacques. Seminário XVII: O avesso da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1992. LEOPOLDO & SILVA, Franklin. O outro. São Paulo: Martins Fontes, 2012. LIPOVETSKY, Gilles & SERROY, Jean. L´Esthétisation du Monde. Paris: Gallimard, 2013 PENNA, Lúcia Mara Dias Moreira. Psicanálise & universidade. Belo Horizonte: Auténtica, 2003. PEREIRA, Clóvis. Historiografia & psicanálise. (Doutorado USP) PEREZ, Clotilde & BARBOSA, Ivan (orgs.). Hiperpublicidade I. São Paulo: ThomsonLearning, 2007 _________. Hiperpublicidade 2. São Paulo: ThomsonLearning, 2007 PINHEIRO GONÇALVES, Luiza Helena. O discurso do capitalista. São Paulo: Via Lettera, 2000. QUINET, Antonio. Os outros em Lacan. Rio de Janeiro: Zahar, 2012. TRINDADE, E. Propaganda Identidade e discurso. Brasilidades midiáticas. 1. ed. Porto Alegre: Sulina, 2012. v. 1. TRINDADE, E. (Org.); PEREZ, Clotilde (Org.). Deve haver mais pesquisa na publicidade porque é assim que se conquista a real beleza. III Pró-Pesq PP- Encontro Nacional de Pesquisadores em Publicidade. 1. ed. São Paulo: Editora Schoba; CRP/ECA/USP e FAPESP, 2012. v. 1. VIANA, Silvia. Rituais de sofrimento. São Paulo: Boitempo, 2014. ZIZEK, Slavoj. Para ler Lacan. Rio de Janeiro: Zahar, 2010.

Semiótica Psicanalítica

Ministrantes: Maria Clotilde Perez Rodrigues e Oscar Angel Cesarotto

Ementa: Definição & alcance das interseções entre as disciplinas que tratam da condição subjetiva do ser-no-mundo & suas complexidades.

  1. Registros: Simbólico – Imaginário – Real
  2. Domínios: Palavra – Imagem – Coisa
  3. Matrizes: Inconsciente – Narcisismo – Gozo
  4. Sítios: Mente – Sentido – Cérebro
  5. Razões: Saber – Crença – Conhecimento
  6. Condições: Linguagem – Sexuação – Finitude

 A pluralidade das linguagens, verbais, visuais & sonoras, é a condição tanto da ciência dos signos quanto da ciência do inconsciente. A complexidade da realidade humana se presta para ser lida como um texto manifesto & escutada como um discurso latente. Os conceitos de simbólico, imaginário & real, as três dimensões habitadas pelos seres falantes, sexuados & mortais, permitem analisar simultaneamente as subjetividades & o mundo das significações, nas suas implicações recíprocas, singulares ou objetivas.

 As representações da sexualidade, suas imagens & metáforas, têm particular destaque na análise das causas & motivações das  condutas humanas, em termos de desejos & sintomas, por colocar em questão o estilo de recalcamento típico da época & suas

 implicações narcísicas.

Bibliografia: ALVES FERREIRA NETTO, Geraldino . 12 lições sobre Freud & Lacan. Campinas: Pontes, 2010. CESAROTTO, Oscar. Contra natura. São Paulo: Iluminuras, 1999. _________ Ideias de Lacan (org) – São Paulo: Iluminuras, 1995. CESAROTTO, Oscar & SOUZA LEITE, Márcio Peter – Jacques Lacan. Uma biografia intelectual. São Paulo: Iluminuras, 1994. FAIG, Carlos – Textos (site) FREUD, Sigmund. O Presidente Wilson. Rio de Janeiro: Graal, 1984. Introdução ao narcisismo (Obras Completas) LACAN, Jacques. O estádio do espelho como formador da matriz do eu (Escritos) LÈVI-STRAUSS, Claude. Antropologia estrutural – (A eficácia simbólica) Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1973. MANNONI, Octave. Chaves do imaginário (Eu sei, mas, mesmo assim…). Lisboa: Horizonte, 1980. McLUHAN, Marshall. O meio é a massagem. São Paulo: Imã, 2011. MASOTTA, Oscar. Dualidade psíquica. Campinas: Papirus, 1986. NASIO, Juan-David. O olhar em psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1995. PSILACÁNISE – (site) SANTAELLA, Lucia & HISGAIL, Fani (orgs). Semiótica Psicanalítica. São Paulo: Iluminuras, 2013. SOUZA LEITE, Márcio Peter. Psicanálise lacaniana. São Paulo: Iluminuras, 2000. TEXTURA – (site)

Sexualidade & gêneros

Ministrantes: Fani Hisgail e Paul Kardous

Ementa: Avaliação das consequências da diferença sexual na enunciação e no enunciado da posição simbólica no processo de sexuação.

  1. A sexuação
  2. Corpos & géneros
  3. A virilidade
  4. A feminilidade
  5. As diversidades
  6. Não há relação sexual

 Desde sempre, a diferença genital norteou as posições & papeis dos machos & das fêmeas da espécie vivendo em sociedade,  segundo variáveis culturais historicamente determinadas. Tido como uma constante natural, o real dos corpos deu base de sustentação para a distinção hierárquica entre homens & mulheres, ideologizando a dissimetria em termos de subordinação.

 Na atualidade, mudanças substanciais, tanto no plano histórico como no tecnológico, não só oferecem alternativas nunca antes havidas, como colocam em questão tudo o que até agora foi considerado eterno. A distinção entre os sexos extrapola, hoje, os limites da anatomia, acarretando mudanças inéditas nos costumes & formas de vida, além de modificar nomenclaturas & funções simbólicas. No plano imaginário, enquanto construção social, a classificação das condutas por gênero apresenta-se como politicamente correta.

Bibliografia:  ANDRÉ, Serge. O que quer uma mulher? Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1987. BADIOU, Alain & CASSIN, Barbara. Não há relação sexual. Rio de Janeiro: Zahar, 2013. COSTA, Ana. Tatuagens & marcas corporais. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003. CUKIERT, Michele. O corpo em Freud, Reich & Lacan (Mestrado USP) HISGAIL, Fani. Pedofilia. São Paulo: Iluminuras, 2007. KARDOUS, Paul. Impotência sexual. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2007. KEHL, Maria Rita. A mínima diferença. São Paulo: Imago, 1996. FREUD, Sigmund. Sobre a sexualidade feminina., 1996 MARIA ESCOLÁSTICA. O gozo feminino. São Paulo: Iluminuras, 1995. MONTOTO, Cláudio Cesar. Amor, metáfora eterna. São José do Rio Preto: Bluecom, 2012. PAGLIA, Camille. Personas sexuais. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. PERLONGHER, Nestor. O negócio do michê. São Paulo: Brasiliense, 1987. QUINET, Antonio & COUTINHO JORGE, Marco Antonio. As homossexualidades na psicanálise. São Paulo: Segmento Farma, 2013. RODRIGUEZ, Sergio & STACOLCHNIK, Ricardo. Filhinhos de mamãe. Salvador: Ágalma, 2011. SANTAELLA, Lucia. Corpo & comunicação. São Paulo: Paulus, 2004. SOUZA LEITE, Márcio Peter. Deus é A Mulher. São Paulo: IMP, 2013. SOLLER, Colette. O que Lacan dizia das mulheres. Rio de Janeiro, Zahar, 2005. TREVISAN, João Silvério. Devassos no paraíso. Rio de Janeiro: Record, 2000.

Transitória

Ministrante: Luis Esteban Dominguez

Ementa: Situação & comentário das determinações históricas, sócias & culturais da contemporaneidade, suas formas de inclusão & exclusão.

  1. O paradigma indiciário
  2. Totem & tabu
  3. A pulsão de domínio
  4. O contrato social
  5. As relações elementares de parentesco
  6. Família, propriedade, estado

 Hoje é o amanhã de ontem; não há nada mais novo que o que já foi esquecido. O processo histórico mergulha significações num  devir de longas & pequenas durações, com novidades & repetições periódicas nas leituras da civilização, da cultura & da sociedade. Como tudo o que acontece no mundo têm raízes, sobredeterminações & capítulos prévios, resulta necessário oestabelecimento de hipóteses retroativas & conjecturas prospectivas, visando à interpretação de diagnósticos & prognósticos, por imagens & palavras, das ideologias da época.

Bibliografia:  ANNAUD, Jean-Jacques. A guerra do fogo (filme) BROWN, Norman. Vida contra morte. Petrópolis: Vozes, 1972. CLASTRES, Pierre. A sociedade contra o estado. São Paulo: Martins Fontes, 1998. ENGELS, Friedrich. As origens da família, de propriedade & do estado Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1984. EHRENREICH, Barbara. Ritos de sangue. Rio de Janeiro: Record, 2000. FREUD, Sigmund. Totem & tabu. São Paulo: Penguin Classics Cia das Letras, 2013 ______________. Sobre a conquista do fogo (Obras Completas) ______________. Neuroses de transferência: Uma síntese – Rio de Janeiro: Imago, 1987. GALEANO, Eduardo. As veias abertas de América Latina. Rio de Janeiro: Paz & Terra, 1975. GIACOPETTI, Gualterio. Mondo cane (filme) GINZBURG, Carlo. Mitos, sinais & emblemas (Sinais: As raízes do paradigma indiciário). São Paulo: Companhia das Letras, 1989. GÓES, Clara. História & psicanálise – Rio de Janeiro: Garamond, 2012. KUBRICK, Stanley. 2001 (filme) LEBRUN, Gerard. Passeios ao léu (Sobre Totem & tabu). São Paulo: Brasiliense, 1989. PEREIRA, Clóvis. Thânatos & civilização. São Paulo: Annablume, 2012. SESVCENKO, Nicolau. A corrida para o século XX . São Paulo: Companhia das Letras, 2001. WERNER, Florian. La materia oscura. Buenos Aires: Tusquets, 2013.